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Às avessas




Sou livre e - quem quiser - que me deixe ser assim. Leve e solta! Sou às avessas. Tenho preguiça de quem prefere o morno. Profundo sono de quem não erra. Sou fácil de se ler, difícil de se entender. Nunca estou satisfeita com esse ser que vive aqui dentro. E não tento mais encontrar respostas porque sei que será sempre a mesma: não há. Não há resposta. Já me contentei em não-entender a vida (por enquanto!). Sou de lua. Sou guerreira. Sou virginiana. Sempre quero o vôo mais alto, a vista mais bonita, o amor mais verdadeiro, o beijo mais doce. Tenho um lado metida de ser. Uma coragem que não morre. Um hábito - bom ou ruim? - de querer mudar a vida das pessoas. Vivo pra sentir. Sou amadora de carteirinha (e assino embaixo) de todos os luxos e lixos dessa vida. Tenho uma fé que me move. Sonho ilimitadamente. Não me pergunte o porquê nem até quando. Eu não sei. Não uso relógios. Não me importa se estamos em março ou abril. Nunca sei a hora certa. Sou ciumenta. Tenho uma teimosia que não me deixa. E aquele "q" de quero mais que não passa. Me encontro - sempre - nas palavras. Acho que é porque elas - só elas - entendem. Me entendem. Por isso, te peço (de um jeito meio sem-vergonha que é assim que costumo ser): me deixe ser, assim, do jeitinho que eu sou. Meio bicho, meio gente. Não existe começo nem fim por aqui. Gosto de pessoas inteiras. E quero de ser inteira também. Permita-me. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Tenho um lado meio "sem pudores" que fala o que pensa, é de mim. Poucos aceitam ouvir a verdade, mas eu aceito a minha realidade. É tão difícil de entender? Se eu gostar de você, tenta não me deixar tão solta (tá?). Eu amo a liberdade, mas adoro que me aguarrem, que me segurem e que peçam: FICA! Ou então, pelo menos, prove! Me prove. Eu gosto disso. Faço birra. Invento. Sismo. Duvido. E nem por isso sou menos linda, menos legal, menos chata. Tenho mania de me catalogar e me interrogar. Sempre ao acordar decido que preciso ser um pessoa melhor. Não sou normal. Digo não ao tédio. Vivo sorrindo. E às vezes choro bastante. Tenho um coração na boca. Um lado druida que não some. Um amor que nunca morre. Uma rebeldia que às vezes me cega. Um jeito de viver selvagem, mas sou mansa com quem merecer. Sou bem mais feliz que triste, mas em momentos fico meio distante. Não exijo tanto das pessoas, acredito nelas. E vivo com uma vontade de ser muitas e muito e ter só um coração.


P.S.: "Pelo inferno e o céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia"...

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