"E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto."
(Hilda Hilst)
Faço minhas as palavras de Rubião no livro Quincas Borba: "Ao vencedor as batatas".
As batatas são os problemas do Brasil e o vencedor pode ser qualquer um. Afinal, quais as diferenças entre um e outro candidato? Em que diferem as propostas? As plataformas de governo? São todos uns iguais. São as mesmas promessas de sempre. Sabemos que a Política deveria estar ligada diretamente com o bem estar comum, com a coletividade, com o sentimento de melhoria social. Mas o que se vê é cada um olhando para o próprio umbigo.
E o povo só é notado nas eleições. Nos últimos dois meses todos preocuparam-se com os problemas da sociedade. Fizeram promessas, discursos acalorados, preocuparam-se com as dores do povo e até propuseram soluções para as mazelas sociais. O povo pode, enfim, ser percebido. Afinal, a presença de todos seria requisitada.
Vimos o povo ir às urnas. Todos estavam lá. Os loucos, os aleijados, os muito pobres, os famintos. Todos foram confirmar. Apostar em mais quatro anos de miséria, dor, descaso, esquecimento. Coitado do povo que não sabe escolher conscientemente seus representantes. Triste do povo que não tem direito à educação. Infeliz do povo que tem políticos como os do nosso país.
E a sensação que fica após às eleições é que tudo não passou de uma grande encenação. Na qual os candidatos fizeram muito bem seus papéis: saíram às ruas, visitaram favelas, falaram com com a população, até sorriram para os moradores de rua. E o povo, como uma grande platéia, participou do espetáculo: gritou de emoção, abraçou as personagens, acreditou nas promessas, se comoveu com as próprias dores. O povo acreditou na fantasia... talvez viver de sonhos seja menos dolorido que encarar realidades.
Por toda essa patética realidade que vive o Brasil, eu reafirmo a idéia de Platão: só haverá democracia quando todos tiverem dignas condições de vida e direito à educação de qualidade. Caso contrário o que veremos será o que vimos no último dia 05 de outubro... Um show de pseudodemocracia, o uso do povo, das dores desse povo. Em algumas localidades ainda haverá reapresentação do grande espetáculo em outubro. Depois disso só haverá nova temporada em 2010. Quando o circo será novamente armado; surgirão novos palhaços, o povo continuará sendo os malabaristas das dores e da fome, e um novo show será preparado. O povo assistirá novamente às mesmas piadas, as mesmas bobagens, à mesma pateticidade com que os políticos falam dos problemas do Brasil. E tudo se repetirá: o povo vai se fantasiar, vai acreditar nas velhas promessas, vai sair de suas casas e de suas pontes para votar. Nada mudará. Quanto a Paraíba e a saída de governo, são muitos gatos e ratos para um prato só. São muitas distorções, muitas hipocrisias.
E vivam as eleições! Viva a "democracia" que encobre os céus do Brasil!
O texto abaixo é de uma entrevista para a revista Manchete, na época do show "Trem Azul". Elis estava ensolarada! Ela queria dividir os raios desse sol com todos, principalmente com o público que lotava seu show e fez dele o melhor espetáculo de 1981.
"Apesar de a gente saber que nada será como antes, não há por quê não tomar o trem azul. Quem sabe um dia o sonho volta? Aliás, o sonho não acabou., o meu sonho realmente não acabou, mas, como fico visceralmente abalada com as coisas que acontecem, é claro que vou ficar preocupada.
Preocupada com as pessoas. Isso que está aí não aceito; não faço parte dessa roda. Mas, como acredito profundamente no ser humano, acho que nem tudo está perdido. E vou trabalhar para a melhoria do planeta, do meu jeito. Porque a cada dia que passa mais acredito no grupo, na gargalhada, na leveza, na força do sol atuando em cima das pessoas, a cada dia que passa quero ser mais feliz, batalhando para ser uma pessoa tranquila diante de mim mesma e de meu espelho. Continuo com os passarinhos, com as flores, as cascatas e os rios. Sou uma pessoa antiga. Não vou trair minha cabeça, meu jeito de ser; apesar que até dei uns avanços. Mas daí, Deus é quem sabe, tá sabendo?"
Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra, Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é
bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Sou rainha do meu tanque, sou pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem, minha mãe é Maria ninguém
Não sou atriz, modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é
bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem