17:31

Eu marco meu tempo e ele me marca...



"E isso é tanto, que o teu ouro não compra,

E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto."

(Hilda Hilst)

08:34

Cultura popular em Luiz Gonzaga


“Sempre achei Luiz Gonzaga a maravilha máxima. Cantando e contando a verdade nordestina, Gonzaga nos mostra, com um lirismo incomum, as dores e a sensibilidade de um povo extraordinário”. (Nara Leão)

No dia 02 de agosto de 1989, falecia aquele que se tornara expressão maior da cultura nordestina de todos os tempos: Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

Nascido em 13 de dezembro de 1912, esse pernambucano de Exu estabeleceu definitivamente sua carreira como músico na década de 40. Tornou-se nacionalmente reconhecido a partir do lançamento, em 1947, da canção Asa Branca, parceria sua com Humberto Teixeira, e que se tornou mundialmente conhecida, quase chegando a ganhar uma regravação dos Beatles.

Luiz Gonzaga é uma figura ímpar no cenário musical brasileiro. Sua música é simples, mas de um lirismo profundo e um incomensurável alcance popular! Deixou um legado artístico-cultural que ficará resguardado para sempre na memória do povo brasileiro. O velho “Lua” era um músico extremamente inventivo – foi responsável pela introduçãoo e consolidação do gênero a que se chamou Baião. Sobre Luiz e seu legado, eis algumas palavras do ministro da cultura, Gilberto Gil:

“Dentre aqueles gêneros diretamente criados a partir da matriz folclórica, está o baião e toda a sua família. E da família do Baião, Luiz Gonzaga foi o pai. Seu nome se inscreve na galeria dos grandes inventores da música popular brasileira, como aquele que, graças a uma imaginativa e inteligente utilização de células rítmicas extraídas do pipocar dos fogos, de moléculas melódicas tiradas da cantoria lúdica ou religiosa do povo caatingueiro e, sobretudo, da alquímica associação com o talento poético e musical de alguns nativos nordestinos emigrantes como ele, veio a inventar um gênero musical. Eu, como discípulo e devoto apaixonado do grande mestre do Araripe, associo-me às eternas homenagens que a História continuada prestará ao nosso Rei do Baião”.

(Extraído do Livro “Vida do viajante: a saga de Luiz Gonzaga”, de Dominique Dreyfus).

08:01

Adélia, com licença poética



Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Adélia Prado

07:44

Paraíba renovada em 2009? Faz-me rir!




Faço minhas as palavras de Rubião no livro Quincas Borba: "Ao vencedor as batatas".

As batatas são os problemas do Brasil e o vencedor pode ser qualquer um. Afinal, quais as diferenças entre um e outro candidato? Em que diferem as propostas? As plataformas de governo? São todos uns iguais. São as mesmas promessas de sempre. Sabemos que a Política deveria estar ligada diretamente com o bem estar comum, com a coletividade, com o sentimento de melhoria social. Mas o que se vê é cada um olhando para o próprio umbigo.

E o povo só é notado nas eleições. Nos últimos dois meses todos preocuparam-se com os problemas da sociedade. Fizeram promessas, discursos acalorados, preocuparam-se com as dores do povo e até propuseram soluções para as mazelas sociais. O povo pode, enfim, ser percebido. Afinal, a presença de todos seria requisitada.

Vimos o povo ir às urnas. Todos estavam lá. Os loucos, os aleijados, os muito pobres, os famintos. Todos foram confirmar. Apostar em mais quatro anos de miséria, dor, descaso, esquecimento. Coitado do povo que não sabe escolher conscientemente seus representantes. Triste do povo que não tem direito à educação. Infeliz do povo que tem políticos como os do nosso país.

E a sensação que fica após às eleições é que tudo não passou de uma grande encenação. Na qual os candidatos fizeram muito bem seus papéis: saíram às ruas, visitaram favelas, falaram com com a população, até sorriram para os moradores de rua. E o povo, como uma grande platéia, participou do espetáculo: gritou de emoção, abraçou as personagens, acreditou nas promessas, se comoveu com as próprias dores. O povo acreditou na fantasia... talvez viver de sonhos seja menos dolorido que encarar realidades.

Por toda essa patética realidade que vive o Brasil, eu reafirmo a idéia de Platão: só haverá democracia quando todos tiverem dignas condições de vida e direito à educação de qualidade. Caso contrário o que veremos será o que vimos no último dia 05 de outubro... Um show de pseudodemocracia, o uso do povo, das dores desse povo. Em algumas localidades ainda haverá reapresentação do grande espetáculo em outubro. Depois disso só haverá nova temporada em 2010. Quando o circo será novamente armado; surgirão novos palhaços, o povo continuará sendo os malabaristas das dores e da fome, e um novo show será preparado. O povo assistirá novamente às mesmas piadas, as mesmas bobagens, à mesma pateticidade com que os políticos falam dos problemas do Brasil. E tudo se repetirá: o povo vai se fantasiar, vai acreditar nas velhas promessas, vai sair de suas casas e de suas pontes para votar. Nada mudará. Quanto a Paraíba e a saída de governo, são muitos gatos e ratos para um prato só. São muitas distorções, muitas hipocrisias.

E vivam as eleições! Viva a "democracia" que encobre os céus do Brasil!

07:35

Humana



Eu sou como você: sou da espécie humana, sou capaz de errar. O erro não é falha de caráter e errar faz parte da Natureza Humana. Eu vivo.Eu sorrio.Eu também aprendo! Meu conhecimento é incompleto. Estou na busca o tempo todo, nas horas acordadas e nas horas de sono. Eu posso até me machucar, mas vou sem medo do perigo. Pra quem vier me derrubar, levanto e enfrento com um sorriso.Daqui pra frente eu vou fazer história, quem não entender pode ir embora. Sonho em ser mais feliz, sou uma eterna aprendiz.Sou eternamente grata à Deus por estar sempre olhando por mim, por minhas necessidades, olhando pelo meu futuro, olhando por minha vida !

20:58

Elis atravessa o meu coração

"A CADA DIA QUE PASSA QUERO SER MAIS FELIZ"

O texto abaixo é de uma entrevista para a revista Manchete, na época do show "Trem Azul". Elis estava ensolarada! Ela queria dividir os raios desse sol com todos, principalmente com o público que lotava seu show e fez dele o melhor espetáculo de 1981.

"Apesar de a gente saber que nada será como antes, não há por quê não tomar o trem azul. Quem sabe um dia o sonho volta? Aliás, o sonho não acabou., o meu sonho realmente não acabou, mas, como fico visceralmente abalada com as coisas que acontecem, é claro que vou ficar preocupada.

Preocupada com as pessoas. Isso que está aí não aceito; não faço parte dessa roda. Mas, como acredito profundamente no ser humano, acho que nem tudo está perdido. E vou trabalhar para a melhoria do planeta, do meu jeito. Porque a cada dia que passa mais acredito no grupo, na gargalhada, na leveza, na força do sol atuando em cima das pessoas, a cada dia que passa quero ser mais feliz, batalhando para ser uma pessoa tranquila diante de mim mesma e de meu espelho. Continuo com os passarinhos, com as flores, as cascatas e os rios. Sou uma pessoa antiga. Não vou trair minha cabeça, meu jeito de ser; apesar que até dei uns avanços. Mas daí, Deus é quem sabe, tá sabendo?"



20:51

Pagu



Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra, Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é
bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Sou rainha do meu tanque, sou pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem, minha mãe é Maria ninguém
Não sou atriz, modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é
bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem
Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone, sou mais macho que muito homem